setembro 21, 2012

A Alegria De Ser Portuguesa!

Bom dia amigos.

Há dezoito anos eu conheci uma pessoa muito especial, e se não fosse por ela, não estaria casada com o filho dela, essa pessoa é minha segunda mãe, minha sogra querida Maria de Deus.

Hoje em sua homenagem, e por ela completar mais uma primavera nessa segunda-feira dia 24 de setembro, faz 84 anos, dedico esse post das nossas histórias a Dona Maria, afinal ela faz parte! E começo com essa música maravilhosa para acompanhar a postagem...Com Amália que ela tanto ama!



Vou contar um pouco da sua trajetória de vida... Acho que nossos leitores portugueses vão gostar afinal tudo começou na aldeia de Talhas – Concelho de Macedo de Cavalheiros – Distrito de Bragança - Trás- Os-Montes, norte de Portugal.






Segunda filha de uma família de cinco filhos, pastora de ovelhas na sua aldeia, uma pessoa meiga, feliz e muito falante! D. Maria é uma contadora de histórias. Desde que nos conhecemos ela conta e se lembra de momentos de sua vida que ficaram marcados para sempre na memória.
Nós escutamos e apreciamos essa vida gostosa que ela levou até seus 22 anos, quando saiu de sua terra natal e enfrentou o mar rumo ao Brasil, atravessando o oceano no navio “Portugal” que demorou 18 dias em alto mar. Partiu e trouxe consigo os tempos bons de sua terra, recheada de boa comida, fartura, liberdade, cantigas, e um amor exacerbado a sua pátria mãe. Bairrista até de baixo d’água! Aliás, não tem como não ser mesmo, pertencer a um lugar lindo assim, e maravilhoso, é uma benção!



Maria de Deus e Ana Joaquina (sua irmã)


Os cinco irmãos começando pela esquerda: Helena, Ana Joaquina, José, Maria de Deus e Angelina.
Todos moram em São Paulo.





Ela nos conta que quando pastorava, tinha uma ovelha de nome Madame, e que a chamava pelo nome, e ela atendia e vinha correndo. Ela contava sempre para a Manu minha filha e lógico, criança fica encantada!

Seus pais moravam numa casa de pedra, e como a região no inverno é muito fria, ela, os irmãos e os pais ficavam na cozinha perto da lareira pra se aquecerem, e ali todos se reuniam e jogavam conversa fora, faziam os chouriços, as alheiras, as castanhas... Imagino que delícia que era. . Dessas conversas, muitas histórias dariam um livro, e muitas delas ela contava para minha filha, sua neta, quando pequena. E a Manuela, com a convivência chegou a ter até um pouquinho de sotaque português de tanto ouvir a avó contanto e cantando suas cantigas de infância. (Tiro Liro era uma delas que me recordo).


Casa da família em Talhas




Bodas de ouro de seus pais: Domingos Manuel e Piedade de Jesus Roma.
Depois de anos a família inteira veio morar no Brasil, na cidade de São Paulo.






Ela conta que ao chegar aqui no Brasil ficou assustada e se pudesse teria voltado imediatamente, pois era outro mundo, muito grande e totalmente diferente de tudo que ela conhecia. Aos poucos foi se adaptando, foi viver em São Paulo e morou por um tempo em casa de parentes e assim foi se acostumando com sua segunda terra, afinal conquistou o conforto e a estabilidade para manter-se e tocar a vida adiante.


Trabalhou, batalhou, e conseguiu vencer numa terra de oportunidades, de crescimento e conquistas.

Casou-se com Carlos Augusto Mendes Brinço, também português, ele era da aldeia de Algoso - Concelho de Vimioso - Distrito de Bragança - Trás-Os-Montes. Acabaram se conhecendo na casa de parentes aqui no Brasil.

Tiveram 3 filhos, Maria de Fátima, Ana Maria e Antonio Carlos.

Nunca deixou de ser uma pessoa simples na sua essência e muito amiga e divertida, além de muito querida por todos!



Casal lindo! 
Maria de Deus e Carlos Augusto Mendes Brinço
São Paulo 05/09/1959

 



Não tem quem não fale de sua comida deliciosa, seu tempero maravilhoso e de gosto inigualável. As saladas não podem faltar à mesa, como o bom azeite e vinho portugueses, claro. 

Confesso que aprendi muito da sua culinária, e toda vez que vou fazer comida me lembro das suas dicas preciosas. Uma delas é o uso do vinho em carnes, cozinhar só com azeite e por aí vai... Realmente a comida fica divina!

Quando me mudei pra São Paulo, aprendi a conhecer a cidade com ela, gente, eu errava os caminhos e ela no carro comigo me orientando, e foi assim que “desbravei” a cidade, na companhia dela, eu ria a beça! Pois a voltinha virava uma voltona! Kkkk

Ah, claro que ao som de um bom fado português que sempre amei de paixão, junto com ela nas andanças a gente ia escutando Dulce Pontes, Marisa, Amália Rodrigues...

O maior prazer nosso era ir ao CEAGESP comprar plantas e flores para o jardim de nossas casas, era tão bom! Comprava tantas plantas que teve um dia que o carrinho que levei pra carregar tudo não cabia de volta no carro, era só risada! 


Olha ela aí no meio do seu jardim! Tinha que registrar para vocês verem...
Ah, as rosas são suas paixões! Pena que não fotografei.



Não é à toa que a casa dela sempre está cheia de gente, e assunto é o que não falta.

Bom, amigos e amigas do blog, hoje fiz esse post, pois realmente a minha sogra é uma mulher muito especial e tenho um grande amor por ela e como não haveria de ser, pois seu filho é uma pessoa igualzinha. E encontrá-lo, e ele ser o amor da minha vida, é uma benção!

Compartilho com vocês a história de uma guerreira!

E para todos os portugueses que nos acompanham, digo que amo Portugal, suas belezas, seus filhos, o sotaque, a comida... Tudo, tudo e principalmente o Fado! Por isso não poderia deixar de colocar no início dessa postagem essa música maravilhosa que é para mim uma das mais belas canções portuguesas e que para a minha sogra só a deixa com muitas saudades de sua terra natal, principalmente na voz encantadora e sem igual de Amália Rodrigues.

Beijos pra todos! Um muito especial para minha sogra querida e para vocês portugueses, um beijão de cá do Brasil!

Ana Maria minha cunhada em frente a casa da mãe em Talhas - Portugal







Sogro e sogra de Dona Maria





Maria de Fátima minha cunhada, com parentes, em frente a casa da mãe em Talhas - Portugal




Fátima em Talhas - Portugal



4 comentários:

  1. Olá.
    Muito lindo seu blog. As peças sao lindas, a história uma delicia de se ler..
    Abraços e sucesso..
    Adoro o São Jorge, e em breve terei um em minha casa... Santo Guerreiro.. Sempre
    Um abraço e que seu blog continue assim, lindo e belo.
    Renata de Menezes

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    Respostas
    1. Oi Renata, bom dia!
      Obrigada pelo elogio, isso é muito gratificante!
      Nos acompanhe, sempre traremos pra vocês postagens e idéias que nos fazem sonhar e distrair...
      Beijos amiga e muito sucesso pra você também!

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  2. Olá meninas!Lembro-me que, na faculdade, foi uma portuguesa, recém chegada de Portugar, quem ministrou aulas de Literatura Portuguesa. Era maravilhoso ouvir aquelas Cantigas D'amor, D'amigo e também as D'escánio com aquele sotaque maravilhoso lusitano. Eu fechava os olhos e, ficava a imaginar aquelas cenas de Taverna, o vinho servido em canecas, as roupas, enfim, eram verdadeiras aulas de cultura portuguesa. Mas o que mexeu comigo neste post de hoje, foi a expressão de amor pela sogra. Eu nunca me casei, sou solteirona mesmo rsrsrsrs Mas a gente passa a vida ouvindo cobras e lagartos do relacionamento sogra/nora ou genro. Deus não quis me dar uma sogra, mas eu sempre amei, mesmo de longe, a mulher de deu a vida ao amor da minha vida. Amava por amar. E sempre que eu vejo este amor, com as sogras, me emociono muito, porque é assim que deveria ser. Infelizmente a cultura brasileira não nos ensina a amar os idosos, os pais, os antepassados, não seria diferente com os sogros. Não sei qual das três, aqui, é a autora desta linda homenagem, mas a educação foi a mesma, por isso, tenho certeza que, ambas amam e respeitam suas sogras. Parabéns e que Deus conserve, esta linda senhora, no sei familiar, ainda por muitos anos. Um grande abraço a dona Maria de Deus, que é, verdadeiramente, de Deus.

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    Respostas
    1. Oi Rosana, bom dia!
      Pois é, ela não é sogra não, ela é uma mãe! Não sabe o amor que tenho por ela!
      Realmente é difícil ouvir isso, mas existe sim, aliás temos que ter o coração aberto para entender a mãe que trouxe ao mundo a sua "cara metade", isso é conquistar mesmo.
      Se você tem o amor e carinho dela, já é meio caminho andado! kkk
      Você é engraçada...Nós somos duas Marias! Não três! kkkk...Eu sou a Raquel e a minha irmã é a Bia. kkkk
      Obrigada pelo seu comentário e parabéns, vou contar pra ela, você não sabe como a D. Maria chorou de ver o post em sua homenagem! Ela é uma graça mesmo...
      Ontem almoçamos a sua comida maravilhosa. Que mão pra cozinhar!
      Beijos Rosana e ótima segunda-feira!

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Olá, amo comentários!
Mas, desculpe-me se demorar em responder, a minha vida é uma correria e no tempo livre faço essas postagens que compartilho com você com muito carinho.
Obrigada pela sua visita, seja sempre bem-vindo (a)!

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